A Filha Nada-Invisível

Por Ju Ramil

Bom, pra quem ainda não sabe, sou filha do Kledir Ramil, da dupla gaúcha Kleiton & Kledir. Não, não é música sertaneja apesar de ser uma dupla, com nomes iniciados pela mesma letra, e irmãos. Claudinho & Buchecha não eram sertanejos gente, duplas existem sem serem sertanejos. ;) São aqueles gaúchos que vivem há umas 3 décadas no Rio mas continuam símbolos da Mpb do Sul… Sim, sim, daquela música “Deu pra Ti, Baixo Astral, vou pra Porto Alegre, Tchau”. E também da música do namoro dos seus pais “Amo tua voz e tua cor, e teu jeito de fazer amor”.

É, se nem assim você identificou é porque:

1) É muito novo e não conhece nada além de NXZero e a banda do Fiuk.

2) Não conhece muito de música popular brasileira além de Vinícius e Caetano…

3) Só escuta música estrangeira

Ou alguma outra resposta semelhante… Há 22 anos eu escuto coisas do tipo e uns dias depois a mesma pessoa volta falando: “nossa, meus pais amaaaam seu pai e me mostraram um LP deles autografado”. Hahhahahaha ou não também.

Enfim, o fato é que sou filha deles, quer dizer de um só. O outro, Kleiton, é meu tio e é também um sonhador.

E além de ser cantor e compositor, meu pai é escritor.

Pois é, tudo começou há alguns anos atrás, quando eu era uma adolescente e o fazia de motorista nas minhas festinhas e shows. Ele me buscava e me levava, e claro, minhas amigas vinham junto. E mais óbvio ainda: a gente não parava de falar.

Numa dessas madrugadas meu pai se inspirou e escreveu uma crônica… começa assim:

“Um dia destes, às 2 da manhã, peguei o carro e fui buscar minha filha adolescente, na saída do show do Charlie Brown Jr.Ela e as amigas estavam eufóricas e eu ali, meio dormindo, meio de pijama, tentei entrar na conversa. “E aí, o show foi legal ?” A resposta veio de uma mais exaltada do banco de trás: “Cara! Tipo assim, foda !” E outra emendou: “Tipo foda mesmo !” Fiquei tipo assim, calado o resto do percurso, cumprindo minha função de motorista. Tô precisando conversar um pouco mais com minha filha, se não, daqui a pouco, vamos precisar de tradução simultânea.

Pra piorar ainda mais, inventaram o Messenger, essa praga da Internet, onde elas ficam horas e horas escrevendo abobrinhas umas pras outras, em código secreto que não leva a absolutamente NADA. Tipo assim: “kct! vc tmb nunk tah trank, kra. Eh d+, sl. T+ Bjoks. Jubys”. Em português: “Cacete! Você também nunca está tranqüila, cara. É demais, sei lá. Até mais, beijocas. Jubys”. Jubys, que deve ser pronunciado “diúbis”, é isso mesmo que você está imaginando, a assinatura. Só que o nome de batismo é Júlia, um nome bonito, cujo significado é “cheia de juventude”, que eu e minha mulher escolhemos, sentados na varanda, olhando a lua…

Pois, Jubys, é hoje, essa personagem de cabelo cor de abóbora, cheia de furos na orelha, um monte de arames na cara mais parecendo um bicho, sem falar nas malditas pragas das tatuagens que tanto marginalizam os jovens. Tô ficando velho!”

observação importante: eu nunca tive cabelo laranja, fiz meu primeiro e único piercing aos 18 anos, que é tão pequeno que tem gente que nunca viu, e ainda não fiz uma tatuagem.

Bom, voltando…  no dia seguinte disparou pra família e pros amigos. E a partir dai começou a escrever crônicas, ser colunista de vários jornais e sites, e já publicou dois livros: Tipo Assim e Pai Invisível. Tipo assim é o título da tal crônica daquela madrugada. E Pai Invisível é um romance que desencadeou a partir da tal crônica Tipo Assim, com dois personagens que são filhos do “narrador”: Jubys e João. (Outra observação: Pai Invisível? Não sei de onde ele tirou esse título, porque só quem tem pai famoso sabe que a única coisa que seu pai não é, é invisível.)

ALÔÔÔ, é ou não é tudo culpa minha? Tipo assim paiê, eu mereço um percentual dos seus trabalhos né?!

Já que ele não me paga eu uso o cartão de crédito dele. Arrasei. To certa ou não to?

Ah e claro: meu pai também fez vídeocrônicas e acha que só porque fiz faculdade de Cinema tenho que saber tudo sobre uploadar vídeos no Youtube e fazer algumas mudanças no Final Cut. Outra observação importante: eu nunca editei nada na minha vida, só fiz aulinha básica de edição… não sou nada da parte técnica do cinema, sou produtora (igual a minha mãe, claro).

Além é claro das trocentas dúvidas que ele tem sobre Orkut, Facebook, Twitter, Skype, Msn… Alguém avisa pra ele que ICQ não existe mais e o Orkut já está meio ultrapassado?! E que não é porque eu passo o dia inteiro no twitter e no facebook que eu sei usar todas as ferramentas que eles oferecem!!!!!

Agora me digam: dois meses depois que eu criei o Cuide do Seu Jardim, entra no ar o blog do meu pai!!!!!!!!!!!! Ou melhor: O Blog do Kledir.

É ou não é tudo culpa minha?!!? Mereço ou não mereço meus cartões de crédito ilimitados?!?

E o pai-engraçadinho ainda diz que eu devia criar um blog ‘Cuide do seu pai’ porque fico muito tempo me dedicando ao blog ao invés de falar com ele no Skype!

É gente, não é fácil ser uma filha não-invisível de um pai que se acha super invisível. :)

Mas brincadeiras a parte, as minhas e as dele, eu tenho muito orgulho dele. E adoro cada palhaçada e brincadeira, adoro todos os textos que ele acha que eu não leio (é verdade que muitos eu não leio mesmo, mas por falta de tempo, prometo). E adorei ter revisado os livros, e ter dado pitaco no blog, e aparecer no último DVD da dupla jogando futebol na areia do Laranjal (oi? eu jogando futebol?).

E eu não poderia simplesmente escrever aqui:

Oi Gente! Entrem no blog do meu pai! Ele escreve crônicas para a Zero Hora, Brazilian Voice e O Fuxico. Lá tem audiocrônicas, videocrônicas e crônicas e eu sou sua musa-inspiradora de muitas crônicas. Passem lá pra rir um pouco das mentiras que ele conta sobre mim e sobre a vida. O site é: http://blogdokledir.blogspot.com/.

Não, não. Ele merece mais que três linhas.Porque se eu gosto de escrever, se criei um blog, se sou viciada em internet. É tudo culpa dele.

Nunca vou esquecer de quando ele me mostrou o Bate-Papo do Uol, sala de 10-15 anos e colocou meu nickname de PiuPiu. Se blog tivesse som, o som de agora seria aquele barulho chiado de internet pelo telefone, quando conecta, sabe? O primeiro mês a conta veio altíssima. Depois disso eu podia usar nas madrugadas e nos domingos, quando se pagava por um pulso só.

Hoje cada um tem seu computador, aliás, cada um já teve mais de um computador próprio. Temos internet em altíssima velocidade (uhu paiê conseguiu aumentar semana passada) e wi-fi pela casa toda (exceto no meu quarto que ele promete há meses concertar….zzzzzzzzzzzzz).

É, então gente, entrem lá no blog dele. Comentem dizendo que são leitoras do meu blog. Quem sabe ele começa a ler o meu também (não deu a menor bola até hoje) e me favorita nos links dele. Ele vai ficar bem feliz! Ele é um fofo! :)

Ele também tem twitter, facebook, orkut e até msn. Mas o msn ele não usa. Só skype, pra me ver quando tá viajando (toda semana praticamente).

E quem quiser, aconselho a ler os livros dele…. não é coisa de filha-coruja, prometo… mas todo mundo que começa a ler, ri alto e só para de ler quando o livro acaba. ;)

Beijos,

Ju*

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14 Comentários

Arquivado em cultura, literatura, música

14 Respostas para “A Filha Nada-Invisível

  1. Aninha Pires

    foooooooofa
    deu vontade de ler os livros do seu pai!!!
    hahaha
    beijão amiga

  2. Karen

    excelente texto Ju! bjo

  3. Julia Cunha

    hahahahahahahhaha ri muuuito com esse post, adoreeei. Minha irmã quando quer alguma coisa me chama de Jubys (“Jubys, que deve ser pronunciado “diúbis” “) até hoje – ela tem 18 anos e finge que é séria quando chega da PUC dizendo que tem prova de Direito do não sei o que. enfim né.. adorei adoreei! o blog do seu pai já tá na outra guia aqui, vou ler!

  4. Amei o texto e acho que merece cartões com limite altíssimo pro resto da vida… =D

  5. Tiça

    Ju,
    Adorei!!! Quero ler os livros, que já ouvi sobre e não conheço. Vou procurar.
    Você escreve bem, heim? Além de produtora, é boa escritora! parabéns.
    beijos prá você e prá toda a família

  6. a-haaaa!!!! Seu pai é muito tecnológico! Ele é até editor agora!!!!
    Mas sério, depois desse post fiquei com muita vontade de te sequestrar e usar o cartão do Kleiton&Kledir.
    A gente podia sair e comprar vários sabonetes e perfumes e entregar àquela pessoa que o nome não é pronunciável, porque sabonete gera gente cheirosa.

    PS: Adoro o blog do Kledir!!!

    PS2: O Faustus acha que seus pais são muito fãs do Kleiton&Kledir né, vários cds dele pela casa.

    beijos

  7. Adorei ouvir sobre o seu pai, ficou muito bacana o post. Ele é uma figura! E sim, todos os pais sem exceção acham que a gente entende e saber usar toda e qq ferramenta da internet. É “nosso trabalho” ensinar, fazer o quê? Se vira! rs… :)
    beijos
    Debb

  8. Beatriz

    Morri de rir!
    amei! arrasou
    ate entrei no blog do seu pai =P

  9. manu

    “nossa, meus pais amaaaam seu pai e me mostraram um LP deles autografado”.

    hahahaha é real.
    beijinho

  10. Parabéns pelo texto e pelo pai talentoso que você tem, realmente não são todos que dão valor à família. Com sua propaganda do blog vou virar leitor assíduo dos textos dele. Seu texto foi divertido e muito interessante, parabéns novamente.

  11. Thais Monteiro

    que filha mais coruja essaaaaa!!! ;) adoreeeei o post amiga, eu tenho os dois livros do seu pai! ah, e a melhor parte: eu estava no carro depois do show do charlie brownnnnnn!!!! hahahahha lembro dessa história até hoje, sensacionaaaal!!! bjjss

  12. Adorei saber disso! e me diverti com a crônica, principalmente o código secreto no msn haha

    um beijo e bom domingo à vocês!

  13. tania

    Hoje entrei pela primeira vez no blog porque gostei do nome.Fiquei muito contente em saber que você é filha do Kledir,as músicas dele e de seu tio faze mparte de minha vida até hoje,de verdade.Parabéns pelo blog.Adorei o texto.

  14. Gabriela Salles

    Bom dia Julia, como vai?
    Meu nome é Gabriela Salles, tenho 19 anos e sou paranaense pé vermelho (rsrsrs). Sou apaixonada por moda, mas prefiro estilo, amante da boa cultura não me enxergo sem o viés da arte. Tenho gostos peculiares que diferem dos jovens do meu tempo. Jovens esses, que já não conhecem mais Vinicius de Moraes nem Caetano, eu particularmente amo, e acabo não me enquadrando nessas tribos corriqueiras.
    Tantos rodeios, pra dizer que um dia desses ouvi a musica “Deu pra ti”. Depois dela, fiz muitas outras pesquisas a cerca da dupla. Do seu pai me tornei fã confessa, das obras só não li os livros, por falta de tempo e dinheiro (rsrsrsrs).
    Estava lendo as crônicas no blog dele e não sei como encontrei você, enfim, o que quero dizer basicamente é que precisávamos de mais artistas como o seu pai e de jovens que propagassem essa identidade brasileira que é tão rica. Precisamos de você também (rsrsrsrs) adorei o seu blog e espero que você volte a escrever. Beijos!

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